COLUNISTAS | Vida de Goleiro (Marcelo Pastel)

Dino Zoff; a muralha da Squadra Azzura

O maior goleiro da história da Itália, Dino Zoff era sinônimo de persistência e liderança, conquistou uma Copa do Mundo aos 40 anos, em 1982, na Espanha, sendo o capitão do tri mundial italiano. Além disso, foi protagonista de um jogo emocionante contra o Brasil, em uma partida histórica que ficou conhecida como "A tragédia do Sarriá".

Natural de Mariano Del Friuli, um vilarejo próximo de Veneza, na Itália, Dino nasceu em 28 de fevereiro de 1942 e desde muito jovem auxiliava na renda de casa, visto que possuíam um baixíssimo poder aquisitivo. Filho de uma dona de casa e de um trabalhador rural, sempre dedicado, ajudava diariamente seu pai na lavoura. Ademais, atuou como mecânico por um longo tempo, durante esse período, apesar do sonho de torna-se jogador, o futebol era apenas um passatempo para o futuro campeão mundial.

Entretanto, aos 15 anos, com a renda familiar equilibrada, Zoff começou a dedicar-se ao futebol. Atuando pelo clube de sua cidade, o Marianese, chamou atenção de olheiros de diferentes equipes da Itália. Dessa maneira, em 1961, foi transferido para o time de base da Udinese e só aos 19 anos, no dia 24 de setembro do mesmo ano, estreou na equipe profissional, pela série A do Campeonato Italiano, diante da Fiorentina. Após duas temporadas pelo time da cidade de Údine, Dino foi contratado pelo Mantova, em 1963.

Com excelentes atuações e total confiança do treinador, foi titular incontestável no gol do Mantova. Desse modo, dois grandes clubes da Itália disputaram a sua contratação, o Milan e o Napoli. Entretanto, o contrato foi fechado com os Partenopei, em 1967. Ao lado de craques como o brasileiro Altafini, o popular "Mazzola" e do argentino Omar Sívori, manteve o bom desempenho. Sendo assim, mesmo sem conquistar títulos ainda, o goleiro ganhou a oportunidade de estrear pela primeira vez na seleção italiana, em 1968, na Eurocopa. Após falhas do goleiro titular, Albertosi, Zoff foi escalado como titular pelo técnico Ferruccio Valcareggi e ajudou a Itália na conquista do título europeu.

Em contrapartida, aos 30 anos, assinou contrato com a Juve, time onde iria consagrar-se e virar ídolo, uma vez que foi na Velha Senhora que conquistou praticamente todos os títulos de sua carreira como jogador. Foram 11 temporadas, 479 partidas e 9 títulos conquistados (6).

Copa do Mundo

Após ter acompanhando do banco de reservas a vitória do Brasil de Pelé, Jairzinho e Rivelino na copa de 70, no México, que desclassificou a seleção italiana do mundial, Dino chegou a Copa de 74 como titular. Porém, a Itália deixou a competição ainda na primeira fase. Em contrapartida, em 1978, no mundial na Argentina, também como titular, contribuiu para a boa campanha da equipe, dado que terminaram o campeonato em quarto lugar.

No entanto, foi na Espanha, em 1982 que Dino conquistou o título mundial pela Itália. O mais experiente, aos 40 anos, o goleiro chegou com a responsabilidade de ser capitão da Azzurra. A seleção italiana teve um início desanimador durante primeira fase, com empates diante de equipes de menor expressão, como Camarões e também o Peru.

Entretanto, exerceu uma surpreendente reação contra a Argentina, uma das favoritas ao título da competição, por 2 a 1. Além disso, despachou o Brasil, que tinha um dos times mais talentosos da história do mundial, em jogo histórico, conhecido como a "A tragédia de Sarriá". A partida ganhou este nome em referência ao local que foi disputada, no estádio de Sarriá, em 5 de julho. Na ocasião, a Itália venceu por 3 x 2, Dino Zoff fez uma defesa milagrosa no final do jogo, uma cabeçada de Oscar, zagueiro do Brasil, assegurando a vitória italiana. Na sequência do campeonato, a Azzura derrotou a Polônia na semifinal por 2 x 0, e chegou à final diante da Alemanha com altíssima confiança.

Com 570 partidas pela Série A do Italiano e 112 jogos pela Azzurra (59 como capitão), Dino encerrou sua carreira como jogador em 1983, pela Juventus e assumiu o papel de treinador de goleiro no mesmo ano.

Dino eternizou-se como uma lenda no futebol mundial, uma vez que assegurou uma carreira brilhante, com feitos memoráveis ao longo dos anos. Ele foi responsável pelo recorde de maior invencibilidade em jogos internacionais. Foram 1143 minutos sem tomar gol, entre 20 de setembro de 1972 e 15 de junho de 1974, sendo batido apenas na copa do mundo de 1974, em uma vitória diante do Haiti, por 3 x 1.







 
Por: Marcelo Pastel





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