ENTREVISTAS

Willy Monteiro

O bate-papo desta vez do Planeta Esportivo é com esportista, Willy Monteiro, ex-jogador tanto no futsal como no futebol de campo, atleta de muita habilidade e passe diferenciado, atuou no Brasil e Europa. Porém, nesta conversa, o craque do mundo da bola também fala da sua vida profissional e religiosa.
 
Nome e idade?
Willy Monteiro - 37 anos
 
Qual a posição você jogava no campo e no futsal?
Futsal - Ala/Pivô e Campo - Meia armador
 
Como foi a base na sua carreira?
Iniciei minha vida no esporte aos 6 anos, na modalidade futsal (na época o futebol de salão), no clube Jaú SER da Ponte São João em Jundiaí, cidade onde nasci. Meus primeiros treinadores foram o Deco e o Fino, onde disputei competições da Liga Jundiaiense de Futebol de Salão (LJFS), nas categorias fraldinha e pré-mirim.
 
Na sequência recebi um convite do treinador Oswaldo, fui para o Clube São João, também com os treinadores, Nemésio e Boi. Foi uma passagem rápida na categoria mirim.
 
No ano de 1996, com 12 anos, iniciei no futebol de campo, jogando na equipe da ADC Vulcabrás, com o treinador Telefone e o auxiliar Vandeco.
 
No infantil em 1997 me transferi para o futsal da Associação Esportiva Jundiaiense, com o treinador Zequinha e o auxiliar Tatu, onde eu teria minha maior passagem no futsal de Jundiaí. Com boas atuações e títulos, no que acredito ter sido a última geração do futsal da Esportiva, que infelizmente encerrou suas atividades no esporte, um clube de muita tradição e diversas revelações no cenário esportivo nacional e mundial, assim como outros clubes de Jundiaí.
 
Atuando ainda no futebol de campo, também na Esportiva, com o treinador Dedé, veio o convite para participar de um grande projeto em Jundiaí, o projeto 'Criança do Futuro', com patrocínio e estrutura da Coopercica, em uma parceria com o Paulista, na época comandada pela gestão Parmalat 'Etti Jundiaí'.
 
Com os treinadores Dedé e Palhinha, além do auxiliar e coordenador Valter Lopes, tive a minha melhor e mais significativa passagem pelo futebol de base. Disputando as principais competições nas categorias infantil e juvenil, nos anos de 1999-2000. Com dois Mundialitos Internacionais da FIFA.
 
Ainda no futsal passei pelo Nacional AC, com o treinador Dumbo, um dos melhores que já tive tecnicamente, que infelizmente já nos deixou, e o auxiliar Toninho. Também passei pelo Banespa, clube de tradição da capital paulista.
 
Sua primeira paralisação na carreira esportiva?
Em 2001 por uma decisão própria fiz a minha primeira desistência do futebol. Tive uma oportunidade de emprego em uma Metalúrgica, por não ter na época um empresário e sem muitas condições financeiras, era um momento de decisão para minha vida e uma possível opção de carreira, visto as dificuldades e instabilidade no futebol.
 
Mesmo trabalhando e já formado no segundo grau, com formação técnica em Administração de Empresas e Comercio Exterior, ingressei na Universidade, na mesma área, assim iniciei uma carreira de formação, atuando até os dias de hoje.
 
Você passou por situações que muitos garotos passam e precisam tomar decisões, ressalta essas oportunidades profissionais, passagens e experiências?
Já depois de formado na universidade (2005) e pós graduado (2007), atuando na área administrativa comercial de uma multinacional no setor automotivo, no mesmo ano em 2007 por intermédio e convite de um treinador, Douglas Pierrotti (ex-seleção brasileira de futsal, campeão do mundo), que veio a se tornar para mim um exemplo de pessoa como um todo, viajei para a Itália, onde haviam muitos brasileiros jogando e alguns amigos por lá.
 
Cheguei aos 23 anos na cidade e no clube de Raiano 'As Raiano', para atuar no futsal, com a intenção de transição para o futebol de campo que era meu objetivo por questões financeiras. No Raiano, tanto no futsal como depois na transição para o futebol de campo na época, o clube disputava a Série C (Liga Pro do Cálcio). Tive uma passagem rápida e tinha um objetivo de uma possível negociação com o Pescara, cidade e clube de maior estrutura naquela região, que infelizmente não aconteceu.
 
Curiosidades e vivência com o esporte na Itália?
O fato interessante desta época, meu primo, Felipe Sodinha, já tinha se transferido do Paulista para o futebol italiano, onde chegou em Udine, para jogar a Série A do Cálcio, para a Udinese.
 
No futebol italiano ainda tinham grandes ídolos no mundo do futebol, como Adriano, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Cafu, Pato, Pirlo, Seedorf, Totti, entre outros gigantes.
 
Nessa época então tive a oportunidade de acompanhar jogos e conhecer alguns amigos que fazem parte da minha vida até hoje, Saulo (goleiro Ferroviária/SP), Guilherme Siqueira (ex-Benfica e Atlético de Madrid), Fábio Simplício, na época jogador do Palermo-ITA, além de visitar e conviver com meu primo, uma pessoa que considero um irmão. 
 
No futsal, os destaques eram o Adriano Foglia que acabei conhecendo também e um atleta que foi referência para mim desde a base no São João, quando eu ficava até tarde para ver os treinos do juvenil, estou falando de Júlio Romanini, um dos melhores que já vi jogar e depois a vida me deu mais um privilégio de ser campeão jogando ao lado dele, no Skina da Picanha Futsal, em 2013, pela LJFS.
 
Na Itália você também teve um lado negativo?
Lá também acabei conhecendo um mundo absolutamente diferente de tudo que já havia vivido e mesmo com humildade, vivi as coisas do meio que estava e acabei me introduzindo no mundo das noitadas, prostituição e bebidas. O que veio a se tornar um problema futuro.
 
Acabei não tendo um foco e uma 'paciência' na época para continuar no futebol e por ter uma segunda opção profissional, veio a minha segunda desistência. Foi uma passagem muito curta e intensa, de grandes experiências, mas principalmente da realização de um sonho.
 
Retorno para o Brasil?
Voltei ao Brasil, trabalhando então ainda na mesma área de formação. Segui a minha carreira profissional em grandes empresas e com bons empregos. Em 2010 tive uma passagem curta em Limeira que foi minha última experiência no futebol.
 
Passagens pelo futebol amador de Jundiaí e região?
Nos anos de 2010 e 2011, joguei no futebol amador, fui campeão com o Atlântico, em Várzea Paulista/SP, time comandado por Zezinho (amigo e 'pai' que já nos deixou). Porém, antes em 2005, havia sido campeão com o Real Monte Alegre, em Campo Limpo Paulista/SP, foram algumas passagens pelo futebol amador, como em Jundiaí, pelos clubes, União da Vila (2006), Ivoturucaia (2011) e Nove de Julho (2012).
 
No futsal ainda passei por equipes como, Floresta, Tenis Clube, Clube Jundiaiense, Seleção de Louveira, Seleção de Campo Limpo Paulista, equipe treinada por Fernando, muito competente que chegou a trabalhar depois no futsal do Corinthians, Skina da Picanha (campeão futsal principal em Jundiaí) e Seleção de Jundiaí.
 
Momento triste com o esporte?
Em 2014 logo após a terceira edição de um jogo beneficente em Vinhedo/SP, partida que realizávamos com amigos, fui 'inventar' de jogar mais sério novamente e nos jogos regionais em Sorocaba/SP, tive a lesão mais grave da minha vida, fraturei (quebrei) o tornozelo e a fíbula. Após a cirurgia tive que voltar a aprender andar e segundo a medicina, eu não jogaria mais futebol.
 
Se pudesse voltar no tempo, o que você faria para mudar sua história no esporte?
Mesmo não me considerando nenhum jogador (ou ex) e reconhecendo uma trajetória instável, muito insignificante, certamente fui totalmente realizado e muito feliz, como sou até hoje ao jogar qualquer 'pelada'.
 
Mas certamente teria mais paciência quando estive na Itália, era uma oportunidade boa e mais real, mas que dependeria de mais tempo. Como eu já estava conhecendo melhor as pessoas, me adaptando com a linguagem e exigências técnicas e táticas, além da parte de força física, lá a obediência tática é muito importante, talvez pudesse ter tido uma carreira continua e um bom contrato.
 
Não me arrependo de ter seguido por uma opção mais segura, já que eu tinha essa opção, pois também fui bem sucedido na minha carreira atual, porém seria uma oportunidade que não me dei tempo. Depois, na vida, tudo passa.
 
Outra coisa que eu faria diferente, teria mais cuidado com as 'ilusões' desse meio.
 
Cita uma partida marcante?
Certamente em um jogo contra o São Paulo, na categoria de base do campo, onde fiz um gol e uma assistência, vencemos por 3x0.
 
Um gol inesquecível?
No futsal, em 1997, um gol na semifinal da LJFS, jogo clássico, pela Esportiva contra o forte Clube Jundiaiense, na prorrogação que levou aos pênaltis e passamos para a final daquele campeonato.
 
No campo, alguns foram inesquecíveis, mas talvez o mais bonito foi em uma partida beneficente em 2012, na cidade de Campo Limpo Paulista/SP, um gol de longe, bonito, porém o mais especial foi que este além de estar entre grandes amigos, estava com minha família assistindo.
 
Como é hoje vestir a camisa do Paulista, jogando partidas como veterano de um dos clubes de muita história no futebol nacional?
Por ter relações verdadeiras e amizades para a vida toda, como por exemplo dos amigos Julinho (Campeão da Copa do Brasil 2005 com o Paulista) e Izaias (Zazá), um dos maiores artilheiros do Paulista, entre outros amigos de longas datas, tive o privilégio de ser convidado para jogar alguns jogos amistosos e eventos pelo clube, que para mim nesse momento é mais uma realização indescritível.
 
Vestir uma camisa desse clube tradicional e de grande história no futebol brasileiro, para mim é sem dúvida uma honra. Torço muito pela gestão atual, sei que mesmo com todas as dificuldades, o Rodrigo Alves (presidente) e o Julinho (gerente de futebol), bem como toda equipe da direção, tem feito um trabalho muito honesto e sério, eu tenho certeza que renderão muitos frutos e colocarão o Paulista no lugar que merece.
 
Seu ídolo no esporte?
Meu único ídolo é o Senhor Jesus, mas no futebol eu admirava muito o Ronaldo 'Fenômeno', e, o Ayrton Senna, para mim o maior de todos no esporte.
 
Quem são as pessoas que você considera amigos que conheceu através do esporte?
Tenho bons amigos no esporte, dos que mais se destacaram foram, Guilherme Siqueira, Cicinho, Cabreúva, Fábio Simplício, Nenê, Julinho, Zazá, entre outros, sempre falo que fui muito realizado por eles. Assistir um dia o Siqueira fazer dois gols no Barcelona de Messi, ver o Cicinho driblar o Cristiano Ronaldo, o Cabreúva dar caneta e vestir a amarelinha, ver o Simplício encantar Roma, ver o Nenê brilhar no PSG, tive o privilégio de estar em Paris na época (2011), e ver de perto o quanto ele foi e ainda é ovacionado pelos parisienses.
 
Entre outras experiências e lembranças maravilhosas não só deles mais de tantos outros amigos, ficaria aqui contando por dias. Foram sempre momentos agradáveis e sinceros, sempre fui muito feliz por eles.

Imagina ver o sucesso do meu primo (Felipe Sodinha) como fica o coração? Me realizo muito!
 
Melhor companheiro no esporte?
Meu melhor companheiro no futsal, poxa, foram muitos craques que pude jogar junto e aprender com cada um, se eu citasse dez ainda seria injusto. Mas acho que eu poderia citar dois em especial. Um foi o Gustavinho, jogamos junto a vida toda e ainda jogamos as peladas até hoje, foi um dos mais inteligentes que já vi. Jogamos desde os 11 anos juntos, foi o companheiro mais fiel.
 
Outro foi o Júlio Romanini, jogamos uma temporada em 2013, aqui mesmo em Jundiaí e, tudo aquilo que sempre me encantava ao vê-lo jogar, consegui me surpreender ainda mais jogando junto, para mim o mais completo e tecnicamente o melhor.
 
A vida continua, mas o lado profissional você sempre batalhou, como está hoje?
Hoje tenho minha empresa que presta serviços na área administrativa de outsourcing (Compras Corporativas) e projetos de redução de custos, treinamentos e consultoria.

Você também está vivendo uma vida mais religiosa?
Voltando um pouco às questões pessoais, mesmo depois de mais de 10 anos vivendo uma vida de vícios em prostituição e bebidas, encontrei em Deus forças para reverter tudo que perdi.
 
Hoje estou livre desses vícios, bem de saúde e 'batendo minha bolinha', sou absolutamente feliz, com a paz que Jesus me deu por intermédio da fé. Paz essa que não estão em coisas, pessoas e nem circunstâncias, mas na certeza da misericórdia de Deus e nas demais coisas por Ele acrescentadas. Eu não poderia deixar de dar a Ele toda honra e glória.
 
Como foram suas experiências fora do país?
Foi uma experiência maravilhosa na minha vida em todos os sentidos, conheci uma parte da Europa e pude entender um pouco sobre a cultura predominantemente conservadora. Mas especificamente na Itália, os brasileiros são muito bem recebidos, além de ter um brasileiro em cada canto, os italianos são mais objetivos, mas cordiais e apesar de não terem todo aquele 'calor humano brasileiro' são honestos e bem respeitosos a todo tipo de cultura.

A gastronomia é uma riqueza, como as paisagens e lugares cinematográficos, particularmente gosto muito da comida italiana, que não é muito diferente uma vez que aqui no Brasil é um tipo de comida bem conhecida, e, está praticamente no nosso dia a dia, mas tem diferença é claro, as pizzas, por exemplo, do nosso tamanho grande lá são individuais, porém sem todo aqueles recheios, mas tem pizza e massa de todas formas e gostos.
 
A linguagem no futebol lá (na época) era muito parecida com a nossa e eles copiavam muito o jeitinho brasileiro de falar em campo, muito por conta de bastantes brasileiros atuando no futebol de lá.
 
Mesmo depois dessa experiência sempre que posso viajo para a Itália, nas oportunidades que tenho, meu primo continua lá, hoje com a esposa e sua filhinha, ainda atuando profissionalmente, bem como tenho outros bons amigos que vivem no velho continente.
 
Deixa uma dica para iniciantes?
Em qualquer que seja a modalidade, pratiquem esportes, muito além de uma carreira profissional de sucesso o esporte é mágico no desenvolvimento pessoal e relacionamento. Algo que valerá para toda a vida!
 
Estudem, cada vez mais, é difícil depender apenas de uma profissão no esporte como um todo, mesmo seguindo o esporte profissional na esmagadora realidade, não dá para viver somente desta profissão. Então estudar e formar uma segunda opção de carreira profissional é uma prudência relevante para o futuro.
 
Fora a responsabilidade que o esporte exige de um atleta que deseja vencer, todo esforço e sacrifício necessário, o esporte é saúde e vida, pratiquem com amor e sem dúvidas, o melhor virá independente de se for um vencedor, se não no esporte, certamente será na vida.
 
O que foi o esporte na sua vida?
Mesmo alcançado algum destaque no esporte, reverencio méritos aos excelentes treinadores quais pude trabalhar, graças a Deus pelo esporte que foi totalmente fundamental na minha vida como pessoa, muito além de resultados no futebol, certamente me ajudaram como pessoa e ser humano em todo meu desenvolvimento. Sou muito grato ao apoio dos meus pais que mesmo em meio às dificuldades financeiras e sem tempo para poder me acompanhar, sempre me apoiaram em tudo.


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