ENTREVISTAS

Alex França

O novo entrevistado do Planeta Esportivo é um jogador que quando entra em campo todos falam: “Esse é craque, o camisa 10 que resolve a parada”. Jogador que começou no Bragantino e conta com passagens pelo futebol marroquino e boliviano. Ele fala o que pensa, tem opinião e não fica em cima do muro.

Nome completo e idade?
Alexander de França, 40 anos.

Como foi a base na sua carreira?
Comecei em 1994, no Rio Branco de Americana, interior de São Paulo, com 13 anos. O clube não tinha alojamento. Foi um período muito difícil, porém, no ano seguinte recebi uma proposta do Bragantino, não pensei duas vezes e fui para Bragança Paulista - local onde fiz praticamente minha base até 1998.

Sua primeira partida como profissional?
Minha primeira partida como profissional foi contra a Francana, em 1999, na disputa do Campeonato Paulista da Série A2.

Quais os clubes que você jogou profissionalmente?
Comecei no Bragantino, depois joguei no América de São José do Rio Preto, Boca Júnior do Sergipe, Amparo, Kenitra do Marrocos e Blooming da Bolívia.

Como e quando foi à decisão de parar com o futebol profissional?
Parei de jogar em 2008. Na época tinha 28 anos. Eu decidi deixar a carreira profissional por um motivo simples, porém, necessário, a falta de compromisso dos dirigentes com os atletas, pois não estavam honrando com os pagamentos, um problema que acontece no futebol até hoje.  

Frustração no futebol?
Não tenho uma frustração, só uma situação que aconteceu, mas não vou citar o clube. Eles tiveram a chance para me vender, não me venderam, tinham a proposta de três grandes clubes, infelizmente não aconteceu. Futebol é isso.

Qual o clube que você mais identificou e por quê?
O Bragantino foi o time que eu fiquei quase 11 anos, me identifiquei com o clube e, principalmente, com a cidade. Visito a cidade sempre que posso. Tenho vários amigos em Bragança. 

Por morar na região de Jundiaí, você queria ter jogado no Paulista, o que você acredita que tenha barrado?
Pra falar a verdade nunca tive vontade de jogar no Paulista, até porque saí cedo para outros lugares. Quando comecei, o clube passava por vários problemas e não era a melhor opção. Vamos ressaltar que o Paulista voltou para o cenário do futebol depois de 2000. Também acredito que muitos jogadores da nossa região não tiveram oportunidades no clube, por não ter grandes empresas por trás.

Cite alguma história engraçada que você presenciou no profissional?
Já dei muitas risadas no mundo do futebol, uma delas aconteceu em um voo, onde fomos jogar em Recife/PE contra o Santa Cruz. Eu tinha um amigo que não gostava de avião, tinha muito medo de voar. Durante o voo, o avião começou a balançar, ele gritava e suava frio do meu lado, os passageiros começaram olhar para nós, e eu tentando acalmá-lo não sabia se falava com ele ou se dava risada. A turbulência não era tão forte, mas para ele o avião estava caindo. No jogo quando fizemos um gol, imitamos aviõezinhos, ninguém entendia, mas foi motivo de chacota por muito tempo.  

Hoje você joga futebol amador na região de Jundiaí, sendo um dos jogadores mais respeitado por suas qualidades técnicas. Você vê muita diferença entre o futebol amador para o profissional, lembrando que não estamos falando da elite, mas de outras séries?

Hoje no futebol profissional vejo muitos peladeiros jogando, tanto na elite como nas outras divisões, antigamente tinha que jogar muito para chegar a disputar um Brasileiro da Série A. No futebol amador temos algumas exceções que não tiveram oportunidades, com o nível que está o futebol profissional, eles jogariam fácil. 

O que te empolga no futebol amador, sabendo que você tem muita história na região?
O que mais me empolga é saber que tenho 40 anos e estou jogando em um nível bom, desta maneira consigo ser útil e ajudar meus amigos de time.

Partida inesquecível e gol inesquecível?
São duas partidas: a primeira foi contra o Rio Branco de Americana. Naquela ocasião estávamos perdendo por 2 a 0 e viramos o jogo para 3 a 2, quando fui autor dos 3 gols. A outra partida foi meu primeiro jogo como profissional na Série B, contra o Malutron, no Paraná. São partidas que guardo com muito carinho.

Ídolo no futebol?
Tenho na memória alguns jogadores que me inspiraram a jogar futebol: Romário, Ronaldo, Neto, Ricardinho, Giovane e Luizão.

Amigos no futebol?
Seria injusto citar um nome, pois tenho muitos amigos no futebol, tanto jogadores na época do profissional, como jogadores do amador, pessoas que tenho no meu coração até hoje.  

Como foi jogar na Bolívia e no Marrocos? Agregou conhecimento cultural e também para o aprendizado de outros idiomas?
Conhecer outros países sempre é muito legal, assim como novas culturas e outras línguas. Posso dizer que foi um período muito feliz, principalmente no Marrocos, onde até hoje tenho contatos com alguns amigos que jogaram comigo. A língua do futebol é simples, quando você chega a outro país e arrebenta a comunicação fica automática (risos).

Com quais jogadores de alto nível você jogou?
Jogadores de alto nível mesmo, com um futebol diferenciado, atletas, como: João Santos, Pintado, Reinaldo, Silvio, Mazinho, Marcelo Sergipano, Alberto e Gil Baiano.

Você acha que o futebol terá mudança após essa pandemia?
Imagino que não, apenas o nível vai piorar ainda mais, hoje o futebol está robotizado

 


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