ENTREVISTAS

Chico Paulista

Desta vez o entrevistado do Planeta Esportivo é um jogador da bola pesada, encerrou sua carreira no futsal em 2019, no qual conta com passagens em diversos clubes do Brasil, além de jogar na Bélgica, Azerbaijão e EUA. Jogador com vinte anos de carreira, esse craque do futebol de salão teve sua base em Jundiaí.

Nome completo e idade?
Francisco de Sales Cordeiro Junior; 40 anos.

Como foi à base na sua carreira?
Comecei a jogar futsal em Jundiaí no ano de 1990 no Clube Primavera, depois fui para o Nacional, Jundiaiense e São João. Nesse tempo também jogava futebol de campo, joguei até meus 18 anos, quando tive uma experiência no Montpelier da França, porém, quando voltei ao Brasil não sai mais do futsal.

Sua primeira partida no futsal principal?
Não lembro qual partida exatamente, meu técnico no Clube São João, Régis Belode, colocava a nossa categoria, que era juvenil, para jogar os campeonatos adultos, isso estou falando quando tinha 18 anos, no qual enfrentávamos as grandes equipes profissionais de São Paulo.

Quais os clubes que você jogou?
São João Jundiaí, Santos FC, São Paulo, Hering Blumenau, Univali Itajaí, Malwee/ Jaraguá, Florianópolis Futsal, Action 21 (Bélgica), John Deere, Joinville, Corinthians, Copagril, Suzano, São José, Khazar Islands (Azerbaijão) e Ontário Fury (EUA).

Como foi o encerramento da sua carreira do futsal?
Eu decidi parar de jogar em 2019, meu corpo não estava respondendo mais do jeito que eu queria (risos). Por ser acostumado a usar o corpo no limite por vinte anos, ele começou a dar sinais de que era o momento de parar. Pensei que iria sentir falta, mas até agora estou bem.

Frustração no futsal?
Não sei se é frustração, mas penso que teve época que eu poderia pegar alguma convocação pra seleção, isso veio várias vezes em minha mente, mas não aconteceu, acredito que tive uma boa trajetória no futsal, não é algo que me tirava o sono, sempre queria jogar, e se acontecesse, seria uma marca maravilhosa em minha vida.

Porque optou o futsal em vez do futebol de campo?
Na verdade o futsal foi me levando, nunca vou saber como teria sido se tivesse escolhido o campo, não me arrependo de nada, tinha que ser assim, sou realizado com minha carreira.

Como você vê o futsal de hoje com o início de sua carreira?
O futsal mudou muito de quando iniciei minha carreira, dentro e fora da quadra. Ganhou muita visibilidade, principalmente pelo Falcão que jogava muito e chamava muita atenção, sem falar a chegada da TV. Dentro da quadra, o jogo ficou mais dinâmico, mas acho que perdeu um pouco daquela técnica absurdamente refinada do pessoal mais antigo, mas ainda sim, acredito que seja uma mina de ouro para os clubes de futebol.  

Como você vê a situação do futsal de Jundiaí?
Estou muito tempo fora de Jundiaí, hoje moro no EUA, mas sempre estou lendo a respeito do esporte da cidade e não só o futsal. O esporte em Jundiaí meio que ficou abandonado, todas as modalidades não tem a mesma força que tinham antes, acho o esporte uma ferramenta essencial no dia a dia da população, antigamente Jundiaí tinha várias modalidades competindo a nível estadual e nacional, isso é bom demais para os jovens de periferia, me vejo como um bom exemplo disso, o esporte me direcionou, comecei a me inspirar em exemplos do esporte, a ter sonhos, a pensar em crescer na vida e não tive tempo de ficar pesando em coisa errada, pode acontecer do jovem não conseguir se tornar um profissional, mas vai ter passado muito tempo da adolescência convivendo com educadores, com pessoas de bem e com isso terão uma vida melhor com certeza. Eu ainda acho que o Brasil poderia usar  esse modelo americano de juntar escola com esporte, eles caminham juntos, sonho com isso. Acho fantástico o que fazem aqui.  

Como foi jogar no futsal europeu?
Eu adorei jogar na Europa, disputar o Campeonato Europeu de Futsal, viajar por vários países, foi uma experiência incrível, sou muito grato a Deus pelas oportunidades que ele me deu.

Já, a Liga Nacional, como foi disputar?
A Liga Nacional é um campeonato muito maneiro, dos vinte clubes, uns 15 tem condições de chegar entre os 4 melhores, mais ou menos são 8 meses de competitividade, no qual você não pode baixar a guarda, adoro esse formato.

Tem muita diferença do futsal europeu com o brasileiro?
Como o jogo ficou mais dinâmico, a técnica brasileira não está mais tão acima dos europeus, estão igualando os jogos com tática e força física, mas acredito que ainda temos os melhores jogadores e que podemos levar vantagem contra eles.  

Entre o Sul do país, com o restante do Brasil, você percebia muita diferença?
Eu adoro o Sul do Brasil, joguei nos três estados, ótimas lembranças nos três. Acho que o atleta vive mais o futsal no Sul, cidades menores, ginásios lotados, as cidades apoiam mesmo as equipes, rivalidades, bons campeonatos estaduais. Vou sentir saudades dos quase 10 anos que passei por lá.

Você marcou muitos gols, tem um inesquecível?
Eu fiz alguns gols bonitos e que gosto de lembrar, além de serem bonitos, são gols em Jogos de Playoffs, então aumenta ainda mais o nível. Foram vinte anos jogando, tem que fazer alguma graça, tem que ter historinhas pra contar (risos).

Qual o ídolo do Chico Paulista no futsal?
No futsal é o Lenísio, maioral na arte de balançar as redes, agora se me perguntasse no campo, é o Messi, o melhor da história, do meio pra frente joga no mais alto nível em várias funções.

Pensa em continuar trabalhando com esporte?
Parei de jogar no ano passado e estou nessa transição para virar treinador por aqui, estou me aprimorando, mas a pandemia parou com os esportes, logo volto à buscar meu objetivo.

Com duas décadas de carreiras no futsal, você fez muitas amizades neste esporte, cite alguns?
Conheci muita gente nesses vinte anos, algumas pessoas fantásticas, outras nem tanto né (risos), mas gosto de falar dos amigos da base de Jundiaí, pessoal da minha idade, amigos que passávamos muito tempo junto, Nalin, Júlio Romanini, Bolacha, eles parecem mais velhos que eu, mas somos da mesma idade (risos), me cuidei mais.

Craque do futsal, qual a dica você passa para os iniciantes no esporte?
Costumo usar meu exemplo, eu não me distraia, queria jogar bola. Sou meio teimoso, se eu não tinha a técnica apurada ou uma força física, eu tentava de outra forma, observava os melhores e tentava fazer depois, quando comecei a jogar futsal, olhava muito o Romanini jogando, sempre jogou em um nível muito alto, então corri atrás do que eu queria. Sempre cercado de boas pessoas e ótimos profissionais, mas é preciso ralar.
 


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