ENTREVISTAS

Alexandre Negri

O Planeta Esportivo conversou e entrevistou o ex-goleiro Alexandre Negri, jogador nascido em Jundiaí e com passagens pelo futebol de cinco países diferentes. Também chegou a vestir a camisa de duas seleções: Brasil e Chipre. Atualmente Negri mora no Chipre e trabalha como treinador de goleiros.  Na entrevista comenta sobre suas frustrações, alegrias e amigos no futebol. 

Nome completo e idade?
Alexandre Negri - 38 anos

Como foi a base na sua carreira?
Iniciei na base da Ponte Preta, clube de Campinas, em 1992. Fiquei na equipe até o profissional, quando me desliguei em 2004.

Quando foi sua primeira partida como profissional?
Minha primeira partida foi em setembro de 2001, num jogo entre Ponte Preta e Internacional, no estádio Beira Rio, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro.

Quais os clubes que você jogou?
Ponte Preta e Fortaleza do Brasil; Ajaccio da França; Universitatea Craiova da Romênia; Aris Thessaloniki da Grécia e Apop Kinyras Pegeia, AEK Larnaca e Doxa Katokopias. ambos do Chipre.

Teve alguma frustração na Ponte Preta?
A minha frustração na Ponte Preta aconteceu em 2003. Estava vivendo o melhor momento profissional, era o titular no clube e por minhas atuações fui convocado para a Seleção Sub -23 ‘Olímpica’. No retorno fui para o banco de reservas sem nenhuma possibilidade de voltar a jogar, ou seja, fui para a Seleção e não joguei mais, algo inimaginável no futebol. O clube estava com salários atrasados e lutando contra o rebaixamento. Até hoje em Campinas as pessoas não acreditam que um goleiro que vestiu a amarelinha ficou tanto tempo sem jogar, algo em torno de mais de 6 meses.

Como foi a passagem pela Seleção Brasileira?
Na Seleção tive o privilégio de ser convocado duas vezes. A primeira em 1995 para a Seleção Sub-15 e em 2003 para a Seleção Sub-23. Na minha opinião essa é a maior realização profissional que um jogador brasileiro pode ter. Estive ao lado de Ronaldinho Gaúcho na Sub-15 e na Sub-23 com Kaká, Robinho, Júlio Batista, Tiago Motta, Diego, Alex e entre outros. 

Como foi a passagem pelo futebol francês?
Na França tive a infelicidade de assinar um contrato de três anos, porém com a garantia que meu passaporte italiano estaria em mãos. Mas a empresa que realizou a transferência contratou uma pessoa para finalizar o processo de cidadania, e infelizmente essa pessoa não cumpriu com prazo e acabei tendo o contrato cancelado após 2 meses.

E como foi o processo para estar na Seleção do Chipre?
Após alguns anos jogando no Chipre recebi o convite para me naturalizar e jogar pela Seleção. Fui convocado algumas vezes para os jogos das eliminatórias da Euro 2016, algo diferente e gratificante, mais um torneio europeu, experiência bem legal. 

Tem muita diferença entre o futebol do Chipre e do Brasil?
A diferença entre o futebol dos dois países é muito grande, tanto tecnicamente como financeiramente.

Comente sobre uma partida marcante:
É difícil escolher somente uma partida diante de tantas que joguei. Mas se tivesse que escolher uma única foi o derby campineiro, Ponte Preta e Guarani, confronto válido pelo Torneio Rio - São Paulo de 2002. O jogo terminou em empate com placar de 1 a 1. Tive grande atuação, fui coroado com a defesa no pênalti do Edu Dracena aos 45 minutos do segundo tempo.

Tem algum ídolo no esporte?
Não tenho um ídolo no esporte, mas tenho admiração por vários atletas, como Ronaldo ex-goleiro do Corinthians, que tive o prazer de jogar junto na Ponte. Também admiro Rogério Ceni, por tudo que representou no São Paulo e ao futebol mundial, além dos goleiros Taffarel e Iker Casillas.

O trabalho de goleiros evoluiu muito desde quando você começou?
Mudou muito principalmente depois que vim para a Europa. Comecei acompanhar o que é feito aqui, onde geralmente estão os melhores, claro com algumas exceções de brasileiros que deixaram suas marcas por aqui. O goleiro atual além de trabalhar muito específico o que acontece nos jogos, precisa entender o aspecto táctico de sua equipe. Antigamente no Brasil se treinava até exaustão, porém sem motivo, não se aprimorava aspectos importantes. Treinar é importantíssimo, mas precisa saber se você está extraindo 100% do atleta e não simplesmente deixando ele cansado por excesso de treinamento.

Como é jogar fora do Brasil?
Jogar fora do Brasil sem dúvida foi uma experiência maravilhosa, me possibilitou aprender outros idiomas, viver culturas diferentes principalmente aqui no Chipre, onde me adaptei muito bem com minha família, pude disputar  a Europa Liga, e conheci vários países graças ao futebol.

Se voltasse no tempo o que mudaria?
Voltaria principalmente no início da minha carreira profissional, quando me tornei titular da Ponte com 20 anos. Buscaria um empresário forte para agenciar minha carreira, isso facilita demais para um jogador, pois é importante ter alguém forte trabalhando com você. As portas abrem com muito mais facilidade. Imagina meu caso: goleiro com 22 anos, titular na Série A do Campeonato Brasileiro, convocado para a Seleção Olímpica, na mão de um bom empresário? Talvez as coisas tivessem sido diferentes na minha carreira. 

Tem amigos no futebol?
O futebol é legal demais nesse sentido, fiz alguns amigos sim, Adrianinho (meia ex-Ponte Preta), Eduardo Marques (meia ex-Santos), Rodrigo (zagueiro ex-São Paulo), Galeano (volente ex-Palmeiras), esses são mais conhecidos, porém muitos parceiros no futsal e atletas que jogaram na base da Ponte Preta.

Dica para os iniciantes no esporte?
A minha dica para quem está iniciando é ter dedicação, perseverança e saber escutar quem está ensinando. Você vai aprender sempre um pouco com cada treinador que passar por sua carreira.

Atual trabalho?
Em 2018 me aposentei profissionalmente e hoje estou trabalhando como treinador de goleiros aqui no Chipre.

 


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