ENTREVISTAS

Luciano Gama

O Planeta Esportivo bateu um papo com o atacante, Luciano Gama, atleta revelado pelo Guarani, atuou na Itália, tem história no futebol jamaicano, vestiu a camisa do Paulista na década de 90 e jogou em um dos mais incríveis ‘Templos do Futebol Mundial’.  
 
Nome completo e idade?
Luciano Traina Gama, 48 anos.
 
Como foi a sua base para virar jogador profissional?
Minha base foi feita no Guarani Futebol Clube, cheguei em 1986, época que os dois clubes de Campinas eram considerados as melhores equipes de bases do país, fato são os números de grandes jogadores que eles revelaram na década de 70 e 80.
 
Contra quem você jogou sua primeira partida no time profissional?
Foi no próprio Guarani, quando fui relacionado e escalado, e me vi jogando com jogadores os profissionais, foi inesquecível, ainda mais que foi contra o Vasco, mesmo sendo um jogo amistoso, estava jogando contra o campeão Brasileiro de 1989.
 
Quais os clubes que você jogou profissionalmente?
Guarani, Velo Clube, Araçatuba, Olympique Saint Quentin (França), Botafogo-SP, América-RJ, Paulista, Marília, Teramo (Itália), Rovigo (Itália), Ferentino (Itália), Impact Montreal (Canada), L’Aquila (Itália), Monterotondo (Itália).  
 
Como e quando foi a decisão de parar com o futebol profissional?
A parada não foi planejada, após uma única cirurgia no joelho direito, decidi que era o momento de parar e ficar por aqui, comecei meus estudos, primeiro iniciei a faculdade de Fisioterapia, mas não completei, depois iniciei e me formei em Educação Física.
 
Qual clube você mais se identificou e tem um carinho até hoje?
Acho que após o Guarani, onde cheguei a todas as seleções de base do Brasil, o Botafogo de Ribeirão Preto foi onde fiz minhas melhores atuações como profissional.
 
Conquistas no Futebol?
Na base fui Campeão Sulamericano Sub-17 com a Seleção Brasileira, já no profissional fui Campeão da Série A2 com Botafogo-SP, também estava no elenco do Guarani que subiu no Brasileirão de 89. Depois foram vários acessos em divisões menores na Itália, conquistas que guardo com muito carinho, o Cálcio é muito difícil, não importa a divisão.
 
Como foi sua passagem no Paulista?
Tive uma ligação muito forte com o Paulista, por conta de meu pai, que foi preparador por muitos anos do clube (Walter Gama), infelizmente joguei muito pouco no time de Jundiaí, atuei em 1996 no Campeonato Brasileiro da Série C. Mas recordo que era um grande time, com nomes fortes como Jorginho, ex-Palmeiras e Portuguesa, Cesar, goleiro vice-campeão com o Palmeiras em 1992, Tuta, atacante que jogou em vários os clubes grandes do Brasil, Claudinho, meia habilidoso revelado na Ponte Preta, Gilmar Francisco, ex-Cruzeiro, Renatinho, jogador com passagens no Internacional, Coritiba e Guarani, dentre outros nomes.
 
Jogar fora do país, como foi essa experiência?
Talvez a melhor experiência em termos de futebol e vida que tive, pena só não ter chegado a jogar em divisões melhores nestes países, mas abriu minha cabeça para uma nova perspectiva, em termos de treinamento tático e profissionalismo, fora toda bagagem de vida, línguas, culturas e outros ensinamentos.
 
Como foi jogar no futebol canadense, as dificuldades que enfrentou lá?
Momento particular, apesar de conhecer a América do Norte como turista, viver lá foi diferente, o esporte mesmo profissional é encarado de outra forma, ainda mais em um esporte sem tradição nestes países, mas outra experiência de vida gratificante.
 
Na Itália como foi o início, a adaptação e a diferença com o futebol brasileiro?
Itália foi um marco em minha vida, descobri ser mais italiano que brasileiro, após me mudar pra lá. Como modo de vida e também dentro do futebol, aprendi o que era realmente ser um profissional, com minhas obrigações e deveres lá. Fora os aspectos táticos que não sabia e não me foram ensinados aqui, só depois de muitos anos comecei a ver estes conceitos sendo aplicados aqui, e até hoje vejo que muitos seguem estes conceitos, tanto de treinamento, quanto tático, sem saber bem o que estão fazendo.
 
Partida e gol inesquecível?
Uma partida inesquecível, sem dúvida com Botafogo de Ribeirão em Jaú, precisávamos de um empate, para decidir o acesso em casa na última partida contra o São José, foi um ano difícil três turnos. O XV tinha um grande time e já tinha subido, lutávamos pela ultima vaga, já que o Mogi Mirim havia subido no primeiro turno. Acabei fazendo os dois gols do empate que precisávamos, depois de estar atrás duas vezes no placar. Uma batalha. Esses gols também foram os mais importantes.
 
Ídolo no futebol?
Como muitos da minha geração, Zico, o Galinho jogava demais, foi um ícone aqui no Brasil. Como jogador canhoto que fui, não poderia deixar de citar, Maradona, craque mundial.
 
Amigos no futebol?
Foram tantos, mas alguns muito fortes e duradouros como Edson Boaro, Amoroso, Leandro Guerreiro, Marcos Bonequini e outros, no período da base, Adilson Zanin e Evandro Rossini.
 
Quando falamos em futebol, qual estádio você tem até hoje na memória? Aquele que você fala joguei neste estádio!
Sem dúvida, jogando foi em Wembley, onde fizemos um jogo contra Seleção Inglesa Sub-17 em 1988, jogo para 55 mil pessoas, minha estreia na Seleção Brasileira, algo sensacional, não tem como descrever o que foi aquele jogo. Já, trabalhando como auxiliar, foi no estádio Azteca, com a Seleção Jamaicana, um empate histórico na época, jogo no México, válido pela eliminatória da Copa de 2014, no Brasil. Dois estádios históricos.
 
Com quais jogadores de alto nível você jogou?
Tive a felicidade de jogar com muitos grandes jogadores, Pita, Carlos (goleiro), João Paulo, Amoroso, Adriano, Luisão, Neto, Edson Boaro todos no Guarani e em jogos amistosos e festivos. E tantos outros, Fábio Luciano, Raí, André Cruz, Deco, Evair, Careca, Zenon, foram muitos, sem esquecer meus irmãos, Thiago Gama que também jogou no Paulista e Daniel Gama.

Como foi treinar uma Seleção Estrangeira?
Outra grande experiência, ainda mais uma com tantas dificuldades como a Jamaicana, problemas de campos, jogadores e tudo mais. Vindo de um país como o nosso, que onde chegamos, somos respeitados. Na Jamaica vivi o oposto, foi uma grande lição, tanto com as equipes femininas, quanto as masculinas.
 
Você continua envolvido com futebol?
Sim, mas no momento de maneira diferente, apenas recuperando ou preparando atletas dentro da minha academia em Rio Claro. Os campos, e jogos fazem falta, mas também tem sido gratificante ficar um pouco afastado, principalmente de algumas coisas que não são tão agradáveis no futebol.
 
Como você analisa o VAR no futebol?
Acho que vem sendo muito mal utilizado e tem tirado muito da essência do jogo, como toda nova tecnologia deveria ser aprimorada, mas tem interferido de modo negativo ao jogo, talvez deveríamos pensar em utilizá-los como desafio, como é feito no tênis, com número limitado de chances.
 
Qual a principal mudança do futebol de hoje, em relação ao tempo que você jogou?
Acho que houve uma mudança técnica e tática importante, depois do Barcelona de Guardiola, em relação a posse de bola, velocidade e até técnica, depois de anos vimos a Itália da Eurocopa, jogando de uma maneira diferente, pois praticamente todos vinham nesta linha a alguns anos.
 
Resume em poucas palavras, o futebol profissional para você dentro de campo?
Foram 16 anos nessa rotina de tantas realidades e sonhos, muitas viagens, concentrações e jogos, período que fiz muitos amigos, pessoas que guardo em meu coração até hoje.
 


Galeria de Fotos:





VEJA TAMBÉM



ENTREVISTAS  |   13/06/2021 10h38





ENTREVISTAS  |   20/07/2020 20h05


ENTREVISTAS  |   10/02/2020 19h49