COLUNISTAS | Esquadrão E.C. (Pietro Andrade)

O esquadrão comandado por Platini

Nesse primeiro texto falando dos grandes ‘Esquadrões’ do esporte e principalmente do futebol mundial, vários pontos são colocados em análise, como títulos, jogadores, treinadores e fatos que o fizeram entrar para história. Para começar, vou falar da Juventus-ITA, entre os anos de 1980 à 1986.
 
Poucos clubes no mundo podem se orgulhar de seus feitos de maneira tão grande e tão linda quanto a ‘La Vecchia Signora’ da década de 80. De 1980 até 1986, a Itália, a Europa e o mundo ficaram vidrados na tela da TV, ou presentes nos mais variados estádios, para acompanhar verdadeiros bailes de um time que aliava uma força estupenda na defesa, (Zoff, Cabrini, Gentile e o mito Scirea), laterais e meias de puro talento (Tardelli, Bonini e Favero) e um ataque simplesmente fenomenal, com Rossi, Boniek, Laudrup e um gênio para comandar toda aquela orquestra (Platini). No banco, um treinador para fazer tudo funcionar como passe de mágica (Trapattoni).
 
A Juventus protagonizou uma hegemonia histórica na Itália, colecionou canecos internacionais e conseguiu a tão sonhada segunda estrela em seu escudo, ao vencer o 20º título italiano em 1982.
 
Para completar, o time ganhou a Uefa Plaque, congratulação pela então inédita façanha de ter conquistado todos os três principais títulos do continente europeu (Copa dos Campeões, Recopa Europeia e Copa Uefa).
 
Depois de uma década ruim, nos anos 60, a Juventus cansou de ver os rivais Milan e Internazionale levantarem troféus e mais troféus e resolveu ‘acordar’ a partir da década de 70. O time faturou cinco campeonatos italianos entre os anos de 1972 e 1978, tendo como destaques os craques Zoff, Bettega, Altafini, Causio e o líbero Scirea, considerado por muitos como o melhor na posição na história do futebol.
 
Mesmo com os títulos, faltava algo naquela Juventus no início dos anos 80. A equipe já tinha um padrão de jogo bem definido pelo técnico Trapattoni, com uma defesa sólida, meio de campo coeso e um ataque eficiente, mas faltava alguém para dar magia e arte. Esse alguém chegaria ao time apenas na segunda metade do ano de 1982.
 
Na temporada 1980-1981, a Juventus voltou a conquistar a Itália com mais um Scudetto, o 19º de sua história, ao deixar para trás Roma, Napoli e Internazionale. Foram 46 gols marcados e 15 sofridos, registrando a melhor zaga da competição.
 
Em 1981, a equipe contratou o artilheiro Rossi, que teve que esperar até 1982 para estrear pela equipe, pois estava suspenso pelo escândalo de manipulação de resultados. Mas a Juve nem ligou. O time estava se preparando para armar um esquadrão para a história.
 
Na temporada 1981-1982, a Juventus conseguiu o feito histórico de conquistar o bicampeonato italiano e faturar o scudetto pela 20ª vez. O título fez a equipe se tornar a primeira (e até hoje única) a poder estampar acima de seu escudo uma segunda estrela (lembrando que, na Itália, cada estrela equivale a 10 títulos nacionais). A campanha foi ainda melhor que no ano anterior, com 19 vitórias, oito empates e três derrotas, com 48 gols marcados e apenas 14 sofridos, tendo a Juve novamente a melhor defesa.
 
Mas era pouco. Aquele esquadrão podia mais, bem mais, como sabiam seus torcedores e o técnico Trapattoni. Foi então que após a Copa do Mundo da Espanha, em 1982, com a Itália levantando o tricampeonato mundial, chegou a Turim a maior estrela do futebol francês da época: Platini.
 
O craque era, enfim, o gênio do futebol-arte que faltava para a Juventus deixar de ser tão nacional e se transformar em uma potência a nível continental, o único troféu europeu do clube na época era uma Copa Uefa no longínquo ano de 1977. No mesmo ano, o polonês Boniek também chegou para integrar o ataque alvinegro. Pronto, a Juventus estava preparada para começar a escrever algumas das páginas mais loureadas e brilhantes de sua história.

Na primeira temporada da Juve com suas estrelas, a equipe não esperava ter tantos revezes e sustos. No Campeonato Italiano, o time não conseguiu superar a Roma, que conquistou o scudetto. Na Copa dos Campeões, a equipe fez uma boa campanha até chegar à final, porém, na decisão, tudo deu errado e a Juventus sucumbiu diante do Hamburgo (Alemanha) e do talento de Magath, autor do único gol do jogo. A decepção foi enorme, afinal, era a segunda vez que a Juve chegava a uma decisão de Liga e perdia pelo mesmo placar (na década de 70, perdeu por 1 a 0 para o Ajax de Cruyff).
 
O único caneco de uma temporada que era para ser recheada de glórias foi a Copa Itália, vencida sobre o Verona, com uma vitória por 3 a 0 (um gol de Rossi e dois de Platini). A torcida ficou ressabiada, ainda mais pelo fato de o goleiro Zoff se aposentar. Mas não era motivo para pânico. Platini resolveria tudo em 1983-1984, ainda mais depois de faturar a Bola de Ouro da Revista France Football.
 
Mordida pelo fato de ter perdido o scudetto em 1983, a Juve voltou a levantar o caneco nacional em 1984, em cima da Roma, com 17 vitórias, nove empates e quatro derrotas, registrando o melhor ataque (57 gols) e a terceira melhor defesa (29 gols sofridos). Platini foi decisivo e artilheiro do torneio com 20 gols marcados.
 
Com a coroa de volta em casa, a Juve aproveitou como nunca a chance de faturar um caneco internacional naquela temporada, o título inédito da Recopa Europeia, faltando apenas a Copa dos Campeões como o caneco dos principais troféus do continente. Ainda em 1984, a Juve levou a Supercopa da Uefa, vencendo o poderoso Liverpool (Inglaterra) na final por 2 a 0, com mais um show de Boniek, autor dos dois gols do jogo.
 
A Juve não queria saber de outra coisa na temporada 1984-1985, o foco era total na Copa dos Campeões. O time menosprezou sem dó o Campeonato Italiano, que ficou com o surpreendente Verona.
 
Com isso partiu com tudo em busca do troféu que faltava em sua galeria, após uma campanha magnifica chegou à decisão contra o Liverpool. No dia em que os torcedores de Juventus e Liverpool, adversário dos italianos na final, tinham tudo para celebrar, vibrar e torcer, a Europa e o mundo viram uma barbárie. A cidade de Bruxelas, na Bélgica, foi palco de uma tragédia que ficou conhecida como a “Tragédia de Heysel”, quando um confronto dos hooligans ingleses provocou a queda de um alambrado e matou 39 torcedores da Juventus, além de deixar centenas de feridos.
 
Em meio a tanto drama, o jogo que tinha tudo para ser espetacular ficou em segundo plano naquele dia 29 de maio de 1985. Sem vibração alguma, a Juventus jogou o básico para vencer o Liverpool por 1 a 0, gol de pênalti de Platini, e levantar sua primeira Copa dos Campeões da história.
 
Ninguém podia com os comandados de Trapattoni, muito menos com Platini e Boniek. A Europa já estava dominada. Mas ainda faltava o mundo. Em 1985, a Juventus completou sua festa com o título do Mundial Interclubes, ao derrotar o Argentinos Juniors.
 
Depois de vencer tudo, a Juventus começou a se enfraquecer na temporada 1985-1986. O time venceu apenas um título, a Série A. Na Copa dos Campeões, o time de Platini foi eliminado nas quartas de final pelo Barcelona. Chegando ao fim uma época histórica.






 


Por: Pietro Andrade





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